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4 Práticas na escola para uma educação antirracista



1. Identificar e reconhecer o problema do racismo diário e estrutural (inclusive nas escolas), sem menosprezar os danos que ele causa a todos nós

O racismo nem sempre é tão perceptível no nosso cotidiano, mas ele está circulando nas nossas relações de poder - e isso inclui as relações estabelecidas na escola entre professores, alunos, funcionários, famílias e comunidade onde a escola está inserida. O racismo estrutural pode ser entendido como o racismo que está presente na própria estrutura social - visto que o Brasil passou séculos de escravidão e outras violências contra a população preta - e acaba de certa forma se refletindo em diversas práticas violentas que acabamos "naturalizando". É como se a sociedade brasileira fosse um prédio, e o racismo tivesse sido amplamente utilizado como argamassa para colocar esse prédio em pé - mudar essa estrutura não é algo simples, não podemos esquecer que ele está ali, mas precisamos reformar de alguma forma porque esse modelo está colocando tudo em colapso. O racismo gera sofrimento e danos diários. Ignorar esse problema só fortalece o racismo, e a escola tem um papel importantíssimo nessa desnaturalização do racismo estrutural.

2. Incluir a história e a cultura afro-brasileira no currículo e nas atividades culturais e esportivas da escola

Por muito tempo, a cultura afro-brasileira foi excluída ou marginalizada no currículo da escola, mesmo sendo um dos principais pilares da nossa formação enquanto nação. Isso retroalimentou o racismo estrutural, e por isso inclusive hoje temos legislações específicas para comprometer as escolas com esse processo de inclusão, como por exemplo a Lei 10.639. Existem diversos materiais bacanas e acessíveis que podem ser utilizados como apoio a essas atividades.


3. Estabelecer práticas que promovam diálogo intercultural e respeito à diversidade na sala de aula, como rodas de conversa, garantindo espaços de expressão e a escuta dos(as) estudantes pretos(as) e suas vivências

Falar sobre o racismo em sala de aula é necessário. Mas também esse diálogo precisa acontecer de forma a dar voz e espaço de escuta principalmente a quem vivencia o racismo diariamente. Organize rodas de conversa temáticas que abordem questões relacionadas à história, cultura e desafios enfrentados pelos estudantes pretos. Esses encontros podem oferecer um espaço seguro para compartilhar experiências e promover a compreensão mútua. A Comunicação Não Violenta e os Círculos Restaurativos são alguns exemplos de perspectivas que podem dar suporte aos educadores para conduzir essas atividades.


4. Educação contínua para professores, promovendo uma abordagem crítica sobre questões raciais e reflexões sobre a negritude e a branquitude. Estimular nesse processo a participação ativa de estudantes e educadores dessas comunidades.

A reflexão sobre esses temas precisa ter uma presença contínua nos processos formativos dos educadores e da comunidade como um todo. Pensar branquitude também se faz necessário, visto que esse movimento também instiga o compromisso e a responsabilidade de pessoas brancas da comunidade escolar para relações étnico-raciais mais conscientes e comprometidas com valores como justiça e equidade.


Essas são apenas algumas ideias, muitas outras podem e devem ser construídas. O compromisso com a educação antirracista é dever de todos nós.




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